« Se houver, como dizem
que há, um Céu dos Cães,
é lá que quero ter assento, a ver a luz a minguar no
horizonte,
com a sua palidez de crepúsculo num retrato da infância.
Hei-de então bater à porta e pedir para entrar,
e sei que eles virão, contentes e leves, receber-me como se o tempo
tivesse ficado quieto nos relógios e houvesse apenas lugar para a
ternura, carícia lenta a afagar o pêlo molhado pela chuva.
Então poderemos voltar a falar de felicidade e de mim não me
importarei que digam: teve vida de cão, por amor aos cães.
»
in "Amados
Cães"
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